Primeiros passos para criar um treinamento eficiente

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Por que você deve parar e ler esse post?

Hoje vamos continuar falando sobre cultura do aprendizado, agora super linkando com o RH das empresas. Dado que este é o setor geralmente responsável por colher as necessidades de conhecimento necessárias para a evolução do negócio e avaliar a contratação ou criação de treinamentos que supram tal demanda.

Hoje vamos abordar quais fatores influenciam na construção de um treinamento. Qual modelo de ensino é aplicado nos treinamentos? Quem desenhou o treinamento possui conhecimentos sobre métodos de aprendizagem? Esse é um assunto super quente e muito discutido na comunidade científica! Por exemplo, sabia que os exercícios que fazemos depois de algumas explicações podem influenciar negativamente no nosso aprendizado? Talvez você precise refletir sobre seus paradigmas :). 

Para contextualizar um pouco, no último post falamos bastante sobre os mecanismos de avaliação relativos a treinamentos que são contratados de fornecedores externos. O texto de hoje vai ser muito mais focado na questão dos treinamentos que são construídos dentro das próprias empresas. Eles, em geral, tendem a ser mais longos e mais alinhados com os desafios específicos enfrentados pelo negócio no dia a dia.

Panorama da indústria de treinamentos

Um documento chamado Relatório da Indústria do Treinamento mostra que as empresas, nos EUA, quase que independente do porte, investem muito mais em treinamentos construídos dentro de casa do que nos contratados através de terceiros.

A realidade no Brasil ainda é inversa. De acordo com o último Panorama de Treinamento, as empresas do nosso país investem cerca de 45% do budget para treinamentos internos, o que não é pouco e merece uma grande atenção!

Aqui temos dois pontos, na verdade. O primeiro é que nossa indústria, muitas vezes, segue as tendências que são trazidas de outros países, principalmente dos EUA. Então a realidade que hoje aponta para a maior parte do budget sendo usada para contratar empresas de treinamentos pode mudar nos próximos anos. E o segundo, é que mesmo considerando o cenário atual, já temos um volume alto de treinamentos realizados dentro de casa. Isso já puxa quase metade do budget do ano, é necessário maximizar a eficiência de cada treinamento realizado.

O processo para começar a criar um treinamento interno

Imaginando um cenário que deveria ser normal, onde a empresa possui um time dedicado para a construção dos treinamentos, podemos pensar um pouco nos desafios encontrados.

  1. Quais são os gaps que os mais variados times possuem?
  2. Baseado nesses gaps, quais treinamentos podemos criar?
  3. Como estruturar tais treinamentos para potencializar o aprendizado e a capacidade de aplicar o que foi visto na prática?
  4. Quem vai ministrar os treinamentos?
  5. Realmente existem pessoas engajadas em ministrar o treinamento dentro da minha empresa?

Todas essas perguntas merecem respostas. A continuação do post vai ser focada no item 3, que é o ponto que consideramos mais falho na maioria das empresas, mesmo quando elas possuem um time dedicado. Os itens 4 e 5 já foram discutidos em um dos nossos primeiros posts sobre cultura do aprendizado. O 1 e o 2 entendemos que é algo mais específico dentro de cada empresa. Você pode usar formulários com perguntas, sugestões das lideranças, sugestões dos liderados etc.

Qual modelo de treinamento você vai usar como base?

A pergunta do tópico é muito relevante. Organizar um treinamento não deveria ser restrito a achar um especialista, passar a demanda do assunto e esperar que a pessoa volte com um programa de capacitação incrível. Existem várias teorias que podem ser usadas para desenhar um treinamento e você deveria se apoiar em uma delas.

Aqui na Caelum, para os treinamentos internos, estamos usando uma versão renovada de um modelo conhecido como Four-component instructional design. Ele foi criado por um pesquisador que também é um profundo estudioso sobre aprendizagem e que analisa os efeitos da Teoria da Carga Cognitiva(Cognitive Load Theory) durante o nosso processo de aprendizado. Essa teoria demonstra que a nossa memória de trabalho, a que é utilizada durante o momento da aprendizagem, tem uma capacidade limitada e que não deveria ser inundada por informações que não sejam completamente relevantes. Por exemplo, foi analisado que após uma explicação, tende a ser melhor mostrar exercícios prontos para os alunos (worked examples) do que pedir para que cada pessoa faça um exercício. Realizar o exercício naquele momento exige um esforço grande da pessoa, forçando o uso da memória de trabalho e consequentemente diminuindo o espaço para a absorção do que acabou de ser visto.

Todo esse processo de modelagem e aprendizado, também conhecido como Complex Learning, deve ser muito bem avaliado. A pessoa e a empresa esperam que o conhecimento adquirido seja aplicado na prática. Para a pessoa, esse é um sinal claro de evolução e para a empresa é um indicador de eficiência e retorno em relação ao treinamento ministrado.

Ainda hoje, no Brasil, de acordo com o Panorama de Treinamentos, o índice mais usado sobre um treinamento aplicado é a satisfação da pessoa. Tanto que muitas vezes as empresas usam esses treinamentos visando mais retenção do que evolução. Acreditamos que essa é uma visão limitada. É importante lembrar que quanto mais a pessoa acredita na sua capacidade de realizar uma atividade mais ela tende a ter uma boa performance no trabalho.

Cenas do próximo capítulo

Na semana que vem teremos um convidado especial, Jeferson! Ele é o atual responsável por desenhar nossos treinamentos internos e está imerso no estudo sobre formas de aprendizado, modelos de treinamento e tudo que envolve essa área, chamada de Design Instrucional.  Vamos mostrar como um treinamento pode ser desenhado seguindo a Teoria da Carga Cognitiva usando o nosso caso real!

Conheça nosso curso sobre gestão

Para fechar, convidamos você a conhecer nosso curso sobre gestão que criamos dentro da Caelum. Vamos ter uma aula específica sobre cultura do aprendizado e discutiremos várias formas de potencializá-la dentro do seu time/empresa. Esse é um dos pilares de uma gestão baseada na confiança, fator essencial para criar o tão almejado pensamento de dono dentro das pessoas.

 

 

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