Perfeccionismo, amigo ou inimigo?

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Entrevistador(a): Qual seria um defeito seu?
Candidato(a): Ah, eu sou muito perfeccionista

Essa é uma resposta bem famosa quando se fala sobre entrevistas de emprego, mas afinal, ser perfeccionista é algo bom ou ruim?

Prós e contras de ser perfeccionista

Estudos mostram que perfeccionistas tendem a apresentar comportamentos benéficos significativos para atingir um resultado. Essas pessoas costumam apresentar um trabalho de ótima qualidade e são mais responsáveis. Além disso, são mais motivadas no trabalho, trabalham mais horas, e podem ser mais engajadas.

Entretanto, o perfeccionismo também está relacionado com aspectos ruins tanto para o trabalho como fora dele, tais como altos níveis de burnout (esgotamento físico e mental), estresse, ansiedade e depressão.

Apesar desses prós e contras serem definidos para perfeccionistas de uma forma geral, depois de uma análise mais detalhada, foi possível identificar distinções importantes sobre o nível em que eles aparecem, dependendo do tipo de perfeccionismo:

  1. Perfeccionismo em busca de excelência – Pessoas que tendem a fixar e exigir padrões excessivamente altos, tanto para o seu desempenho quanto para o dos outros ao seu redor.
  2. Perfeccionismo que evita falhas – Pessoas que têm uma preocupação obsessiva com a aversão a não alcançar altos padrões de desempenho. Preocupam-se constantemente sobre o seu trabalho não estar certo ou bom o suficiente e acreditam que perderão o respeito dos outros se não atingirem a perfeição.

Os resultados mostram que os(as) perfeccionistas podem apresentar um ou os dois modos de perfeccionismo. Os aspectos positivos do perfeccionismo são mais fortes naqueles que apresentam um nível maior do tipo que busca por excelência do que aqueles que evitam falhas. Já os efeitos negativos, são mais fortes naqueles com a tendência de evitar erros, mas ainda costumam estar presentes naqueles que apresentam o perfeccionismo por excelência.

 

Perfeccionistas performam melhor no trabalho?

De acordo com os estudos, não.

Performance e perfeccionismo não estão relacionados. Perfeccionistas não são melhores nem piores do que os que não o são, mesmo para aqueles que buscam por excelência. Porém, o estudo não conseguiu explicar o porquê dessa relação não existir.

Uma hipótese que eles levantam é a de que perfeccionistas podem passar muito tempo tentando deixar perfeito uma tarefa ou projeto e acabar negligenciando outras.

Outra hipótese, é a de que as vantagens proporcionadas pela tendência perfeccionista sejam camufladas pelas desvantagens dessa mesma tendência.

Mais pesquisas precisam ser realizadas para ter um resultado mais específico.

Entretanto, o estudo conclui que o perfeccionismo não é construtivo no trabalho. Considerando que não há diferença de performance com uma pessoa que não é perfeccionista, e os efeitos do perfeccionismo sobre burnout e bem estar mental, ele tem um efeito prejudicial para funcionários e organizações.

 

As causas dos efeitos negativos do perfeccionismo

Quando estamos aprendendo algo ou trabalhando em alguma tarefa, fazemos uso do que os psicólogos Sian Beilock e Thomas Carr descrevem como memória de trabalho, um sistema de memória a curto prazo. Quando ativo, esse sistema possui uma capacidade limitada de informações para processar, que são aquelas relevantes para executar a tarefa em questão, o que nos ajuda a focar melhor e nos protege de distrações do ambiente e de pensamentos irrelevantes.

Quando você passa muito tempo analisando e se preocupando em fazer melhor, os pensamentos repetitivos, a ansiedade e a insegurança diminuem a quantidade de memória de trabalho que você tem disponível para completar uma tarefa, diminuindo sua produtividade.

De acordo com a  psicóloga Jodi J. Deluca, o perfeccionismo gera o estresse e a ansiedade porque é uma ilusão. Esforça-se por algo que não é tecnicamente real e isso coloca uma carga de pressão sobre o cérebro. Essencialmente, você nunca atingirá um pico, porque seu suposto alvo nunca está realmente ao alcance.

O objetivo da perfeição é uma expectativa irreal, pois a pressão que é colocada no indivíduo pode levar ao esgotamento, depressão e ansiedade. Por envolver esse objetivo irrealista, você tem a ansiedade e o cérebro pensante, você está recebendo muita frustração. Então, em poucas palavras, a perfeição é um objetivo mal colocado.

Como lidar com perfeccionistas?

De acordo com um estudo feito com cerca de 42.000 jovens pelo mundo, o perfeccionismo tem aumentado nos últimos 27 anos e precisamos ter um olhar mais atento sobre como lidar com essas pessoas.

Gestores devem procurar aproveitar os benefícios de se ter um(a) perfeccionista no time, como aumentar a barra de qualidade das entregas, e, ao mesmo tempo, mitigar possíveis consequências. Abaixo seguem algumas dicas do que gestores podem fazer:

  • Encorajar essa pessoa a ter objetivos de atividades que os(as) ajudem a se revigorar e desligar do trabalho – evitando, assim, o estresse e o burnout;
  • Comunicar muito bem suas expectativas e a tolerância para alguns erros;
  • Orientar para que ela faça uma coisa de cada vez em vez de se preocupar com o todo de uma só vez e correr o risco de se estressar;
  • Celebrar as pequenas vitórias do dia a dia;
  • Promover o auto-conhecimento da pessoa para que ela consiga enxergar quando seus comportamentos são positivos e quando são negativos;
  • Em vez de encorajar que a pessoa seja perfeita, a encoraje a ser boa o suficiente.

 

 

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