A autoeficácia e sua relação com a performance

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Na semana passada, escrevi um post introduzindo o assunto da autonomia no trabalho, seus tipos e, principalmente, o que é importante vir antes e junto com essa autonomia para que ela seja mais eficaz.

Ainda falando um pouco sobre isso, nesse post vou falar sobre a autoeficácia (self-efficacy) e sua relação com a performance no trabalho.

 

O que é autoeficácia?

Não muito popular no nosso dia a dia, o termo autoeficácia é bastante usado no ramo da psicologia e é definido como a crença que o indivíduo tem sobre sua capacidade de realizar com sucesso determinada atividade.

Essa crença pode ter diversas influências sobre os nossos comportamentos, tais como gerar capacidades e competências, padrões de reações emocionais e de pensamentos e restrições ao próprio desempenho. Mais ainda, pessoas com as mesmas capacidades podem ter resultados diferentes, de êxito ou fracasso, dependendo de sua percepção sobre si mesmo.

 

Exemplos de comportamentos

Pessoas com um alto senso de autoeficácia, ativam os esforços necessários para fazer uma tarefa e, se bem executados, produzem resultados bem sucedidos. Exemplos:

  • Um(a) estudante que não é particularmente bom(a) em uma matéria específica, mas acredita na sua habilidade de aprendê-la bem.
  • Uma pessoa que assume um desafio novo no trabalho que, mesmo não tendo muito experiência com o projeto, acredita que pode desenvolvê-lo.

Já quem tem um baixo senso de autoeficácia, tende a cessar os seus esforços de forma prematura e, consequentemente, falhar ou sequer executar. Exemplos:

  • Um(a) estudante que desiste de estudar para uma matéria que está com dificuldades porque acha que aquilo não é para ele(a).
  • Uma pessoa que não busca por uma oportunidade de trabalho que deseja por achar que não vai conseguir.

E a relação com a performance?

Para entender como a autoeficácia pode interferir na performance do trabalho, foi feito um estudo que verificou uma correlação de 0.38 entre as duas. Esse número pode parecer baixo, mas para o mundo da psicologia, algo que tem uma correlação de 0.38 pode representar uma grande conexão.

Ainda segundo o estudo, a autoeficácia tem uma relação forte e positiva com a performance no trabalho. Logo, alguém que se vê com um alto nível de autoeficácia, tende a atingir melhores resultados.

 

Focar só na autoeficácia é suficiente?

Agora você pode estar pensando que para atingir melhores resultados no seu time ou empresa você precisa focar, então, em contratar apenas pessoas que já demonstrem um alto nível de autoeficácia e que isso solucionará todos os seus problemas. Bom, não exatamente.

No estudo, eles também observaram que essa relação pode ser moderada pela complexidade de uma tarefa. Quanto maior a complexidade da tarefa, menor é a relação entre autoeficácia e performance. Isso quer dizer que não basta a pessoa acreditar em suas capacidades e se esforçar para atingir algo se algumas outras coisas não estiverem claras:

  • Gestores deveriam prover descrições precisas sobre as tarefas que precisam ser feitas – Se a pessoa não é informada sobre as definições e circunstâncias da tarefa, ela pode não ter claro qual a complexidade do que precisa ser feito, pode não saber completamente o que precisa ser feito e isso fará com que não saiba medir o esforço que precisará fazer.
  • A pessoa precisa ser instruída sobre quais são os meios necessários para fazer sua tarefa – Tarefas complexas, geralmente, podem ser feitas de diversas formas. Quais formas são apropriadas para executá-la precisa estar claro. Caso contrário, não importa a crença da pessoa, ela pode seguir por um caminho que não vai trazer os resultados desejados.
  • O ambiente de trabalho deveria ser livre de distrações indesejadas – Coisas como barulho ou interrupções constantes, podem aumentar o nível de estresse e o pensamento de fracasso.
  • Tarefas complexas exigem grande demanda cognitiva e comportamental – As vezes a pessoa pode não ter a percepção das habilidades que possui para conseguir realizar uma tarefa mais complexa, mas gestores e a empresa podem criar programas que ajudem as pessoas e terem uma percepção melhor sobre suas habilidades
  • Desenvolver comportamentos eficazes e estratégias cognitivas para lidar com tarefas complexas – Isso ajuda as pessoas a entenderem que a habilidade é algo incremental e que pode ser desenvolvido. Caso contrário, a habilidade for vista como um dom que a pessoa tem ou não, erros podem ser percebidos como incapacidade intelectual, e também pode gerar ansiedade e estresse.
  • O desenvolvimento da percepção da autoeficácia deveria ser perto do momento em que a pessoa vai trabalhar em alguma tarefa que a pessoa precisará fazer – Caso contrário, com a complexidade do mundo organizacional, diversos fatores negativos podem afetar negativamente a autoeficácia.
  • As expectativas sobre onde as pessoas podem chegar com os resultados de uma tarefa devem estar claras – Se isso não estiver claro, pode fazer com que as pessoas de baseiem em situações parecidas, padrões sociais enviesados ou no que alguém ou um grupo fala de forma informal.
  • Se uma consequência pessoal não estiver atrelada a sua performance, a pessoa pode não se sentir motivada para trabalhar na sua percepção de autoeficácia – As pessoas podem se dedicar mais quando percebem o ganho pessoal que podem ter com algo.

Todos os pontos citados acima não só podem prejudicar a performance de alguém, caso não sejam trabalhados, como podem fazer com a que a pessoa diminua a sua percepção de autoeficácia.

 

Melhorando a percepção da autoeficácia

Trabalhar para que as pessoas do seu time ou empresa desenvolvam essa percepção de autoeficácia pode ser muito importante para ajudar a atingir os resultados esperados e até ir além.

É possível que hoje você tenha uma pessoa com habilidades incríveis no seu time, mas como ela não enxerga isso, deixa de trazer resultados excelentes para ela mesma e, consequentemente, para o time.

Proporcionar um ambiente seguro, de constante desenvolvimento, que vê os erros como oportunidades de aprendizado e que comunica de forma clara os objetivos e motivações de uma tarefa é fundamental para que alguém tenha uma percepção melhor de suas habilidades e capacidades.

 

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Vamos falar mais sobre esse e diversos outros assuntos no curso sobre Gestão de Pessoas, que será ministrado lá na Caelum, no fim de maio. Dá uma conferida! 😉

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