Autonomia em primeiro lugar, será?

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Muito se fala hoje em dia sobre autonomia no trabalho. Diversas empresas, principalmente startups, oferecem vagas de emprego vendendo a ideia de que a pessoa terá autonomia para fazer o seu trabalho e tomar as decisões necessárias.

Cada vez mais, as pessoas buscam por isso, trocando seus empregos por aqueles que terão mais liberdade para fazer as tarefas ou trabalhar em projetos da forma que acham melhor.

Principalmente com a vinda da geração dos Millenials, e agora com a geração Z. Enquanto antes se valorizava a hierarquia e estabilidade, agora as novas gerações, não ligam para isso. Elas querem liberdade, flexibilidade e ambientes onde podem prosperar.

 

Tipos de autonomia

Em seu artigo sobre os benefícios de uma cultura de confiança, Paul Zak comenta sobre dois tipos de autonomia que podemos ter no trabalho:

Yield – Quando a pessoa decide como fazer uma tarefa. Ela sabe onde tem que chegar, mas o como chegar lá, ela que decide.

Exemplo: Luana, do time de vendas, precisa conseguir 3 novos clientes para a empresa. Esse é o objetivo dela. Se ela vai fazer isso indo em eventos, fazendo palestras, contatos por telefone, e-mail ou pessoalmente, quem decide é ela.

Transfer – Quando a pessoa decide em qual projeto ela vai trabalhar. Ela tem conhecimento sobre os projetos que o time ou a empresa tem, bem quanto as datas de entregas e sua prioridade, então decide em qual deve participar e como, quando e onde trabalhará no projeto.

Exemplo:  Jéssica, do time de instrutores da Caelum, sabe que o time tem alguns projetos em andamento: criação de novos cursos, atualização de materiais didáticos e treinamento de novos instrutores. Ela já possui bastante experiência como instrutora e acredita que pode contribuir bastante para o treinamento de novos instrutores.

Aqui a ideia é realmente tratar a pessoa como adulta e que tem discernimento para decidir como trabalhar. Um exemplo desse tipo de cultura é a Netflix, que ficou famosa por eliminar a limitação de dias de férias e permite um horário de trabalho flexível. Precisa da tarde para fazer algo pessoal? Fique a vontade em fazer o que quiser, desde que os objetivos e expectativas estejam sendo alcançadas.

 

Como chegar na autonomia?

Seria lindo se logo amanhã já chegássemos no trabalho e implementássemos o yield e o tranfer na empresa toda. Diríamos para todos que agora eles tem total autonomia para fazer suas tarefas e ainda podem escolher em que projetos querem trabalhar.  As pessoas trabalhariam no que gostam, todos os projetos seriam concluídos de forma fabulosa, a empresa atingiria resultados inimagináveis, todos ficariam felizes e a empresa seria o sonho de trabalho de qualquer pessoa, certo? Bom, não é bem assim…

Para chegarmos numa autonomia que funcione, tanto para as pessoas quanto para a empresa, precisamos ficar atentos para alguns outros aspectos do trabalho que também precisam acontecer no dia a dia.

Considerando os oito pilares a serem trabalhados para aumentar o índice de confiança na empresa, acreditamos que existe um fluxo para que ela ocorra de forma mais fluida:

Reconhecimento -> Objetivos -> Capacitação -> Autonomia

Reconhecimento: É difícil eu ter total responsabilidade sobre algo, quando sequer sei quais aspectos do meu trabalho são considerados bons, o que realmente faço bem e posso me utilizar para seguir nas minhas tarefas e aquilo que ainda preciso trabalhar para melhorar (reconhecimento).

Objetivos: Ok, entendo o meu valor na empresa e sei o que faço que é considerado bom. Agora, para saber por onde seguir, preciso saber quais os objetivos e as expectativas da empresa, dos times, dos projetos e/ou das tarefas.

Capacitação: Beleza, entendo o valor do meu trabalho, sei quais são os objetivos que preciso atingir, agora preciso me capacitar e aprender o que for necessário para conseguir realizar o meu trabalho!

Autonomia: Entendo o valor do meu trabalho, sei quais são meus objetivos, estou capacitada para exercer minha função, agora eu consigo decidir qual a melhor forma de executar minha tarefa e qual projeto é melhor que eu trabalhe. Esse é um fluxo super natural.  Aqui o autor do artigo ainda fala que dificilmente chegamos no transfer sem já ter o yield estabelecido.

Importante salientar também que para incentivar  as pessoas a terem responsabilidade pelo seu trabalho e poderem decidir como fazê-lo, a empresa precisa ter uma cultura mais permissiva a erros e falhas, vê-los como oportunidades de aprendizado em vez de oportunidades para punição.

 

Benefícios da autonomia no trabalho

Na Best Buy, uma grande varejista de eletrônicos dos Estados Unidos, foi  desenvolvida uma nova forma de gerenciamento de trabalho focada apenas nos resultados (ROWE – Results-Only Work Environment) . Os objetivos e expectativas para cada pessoa foram estabelecidos de forma clara e, a partir disso, cada um poderia trabalhar da forma que achasse melhor para atingir esses objetivos e expectativas.

Isso fez com que as pessoas da empresa desenvolvessem o sentimento de dono, e os que atingiram os seus objetivos, foram publicamente reconhecidos. Depois de implementar essa nova forma de gestão, a taxa de turnover caiu 90% e a produtividade subiu 41%.

Aqui vale uma ressalva de que não somos 100% de acordo com a filosofia de que apenas resultados importam. Acreditamos que o ambiente de trabalho precisa também proporcionar a chance de experimentar e errar. A própria Best Buy acabou mudando essa forma de gerenciamento depois quando passaram por uma crise financeira, mas os dados dela são realmente interessantes.

Além disso, quando alguém tem mais liberdade para decidir como executar uma tarefa, por mais simples que ela seja, existe uma chance grande dessa pessoa fazer pelo menos uma coisa ligeiramente diferente do que outra pessoa faria ou de como costuma ser feito. Isso permite que a empresa tenha um processo de inovação constante vindo das próprias pessoas que a compõe.

 

 

 

 

 

 

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