Será que aprendemos de maneira eficiente?

black and white blackboard business chalkboard
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Hoje era dia de Luísa escrever aqui no blog, mas como ela resolveu tirar uns dias de férias e ir curtir a cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul, eu assumi o papel dela e também resolvi escrever sobre a Cultura do Aprendizado. No últmo post sobre o tema, a gente tentou mostrar várias formas de facilitar o compartilhamento dos assuntos de interesse das pessoas e das empresas. Só que alguns bons questionamentos podem ser feitos, por exemplo: será que as pessoas possuem técnicas eficientes de aprendizado? Os treinamentos que elas fizeram foram desenhados de forma a potencializar o aprendizado?

Existe muito estudo sobre métodos de aprendizados e práticas que podem ser feitas para melhorar a retenção e consequente utilização do conteúdo que deve ser aprendido. Nesse primeiro post, vamos referenciar o artigo Self-Regulated Learning:
Beliefs, Techniques, and Illusions para tratar um pouco do assunto.

Aprendizado fora da sala de aula

Já sabemos que o conteúdo hoje em dia pode ser buscado de maneira relativamente fácil nessa nossa internet amada/odiada. De vez em quando eles são acessadas através de plataformas que tentam deixar tudo muito bem estruturado, mas tais conteúdos também são acessados através de posts em blog(como este), vídeos no Youtube e por aí vai. Isso faz com que as pessoas não fiquem esperando aquele momento perfeito, como por exemplo um treinamento oferecido pela empresa, para tentar aprender coisas novas. E aqui já entra o primeiro ponto de atenção. Pelo menos para a maioria de nós nunca foi ensinado técnicas de aprendizado. Na pesquisa referenciada, foi feita essa investigação. Foi perguntado para as pessoas se em algum momento ensinaram a elas como organizar os estudos e a resposta de até 80% das pessoas foi que não. E aqui não podemos considerar que os outros 20% aprenderam técnicas que realmente podem ser eficientes.

Temos a tendência de achar que a prática sempre nos leva a melhorar, tem até o ditado que a prática leva a perfeição. Pode até chegar perto, se você tentar praticar de maneiras diferentes e cada vez mais eficiente. E para a nossa sorte, a ciência diz que existem sim práticas que podem ser feitas para tornar o aprendizado realmente melhor.

De acordo com o artigo, para sermos “aprendedores sofisticados”, precisamos prestar atenção em alguns pontos, são eles:

  1. Entender aspectos fundamentais sobre o aprendizado humano e funcionamento da nossa memória
  2. Entender atividades e técnicas que melhorem nosso aprendizado e recuperação da informação obtida
  3. Saber como monitorar o nível de aprendizado sobre um assunto e bolar atividades que sirvam como feedback desse monitoramento
  4. Entender alguns tipos de vieses que podem acontecer enquanto estamos tentando aprender algo

No texto de hoje, vamos olhar mais para o primeiro ponto.

Nosso sistema de aprendizado não funciona como um simples gravador

Você entrar numa sala de aula, prestar atenção no que está sendo explicado e fazer alguns exercícios sobre o que foi mostrado não é suficiente. Seria muito legal se tudo que a gente quisesse aprender fosse tão simples quanto sentar por algumas horas, fazer um curso online e já sair de lá como um mestre daquele tópico.

A gente potencializa o que está sendo aprendido se acharmos um sentido para aquilo no nosso dia a dia e associarmos o conteúdo com algo que já temos conhecimento.  Quem nunca teve o sentimento, principalmente na escola e faculdade, de estar aprendendo algo que nunca vai usar na vida a não ser para tirar uma nota na prova? Esse é um forte sinal de alerta que naquele momento o seu aprendizado não vai ser tão profundo. Talvez eu, Alberto, esteja até num extremo, mas não consigo lembrar de quase nada da escola, até me asssusta :).

Não temos limites para obtenção de conhecimento

Essa é uma característica bem legal do nosso HD interno.  Ao contrário do que acontece com as máquinas, não temos um limite de capacidade para armazenamento de conteúdo. Na verdade os estudos indicam que quanto mais a gente aprende, mais “espaço” criamos para novos aprendizados. Cada novo aprendizado é uma oportunidade para linkar com um conhecimento prévio! E se esse link for feito, você aumenta as possibilidades de criar aquele aprendizado duradouro, que pode ser acessado mesmo depois de muito tempo.

Processo de recuperação de um conhecimento obtido

Um estudo super antigo, mas muito bem recomendado no meio científico, cujo é título é Remembering, mostrou que o processo para lembrarmos de algo não é tão direto quanto parece. O fluxo não é tão direto quanto fazer o cérebro acessar tal parte da memória, abrir a caixa e pegar aquela informação que está ali guardada. De maneira até inconsciente usamos vários atalhos para chegar na informação desejada.  O estudo indica que quando acessamos uma memória, o que na verdade estamos fazendo é levando em consideração o conteúdo que realmente foi absorvido, nossas expectativas e o contexto que estamos inseridos naquele momento. Reforçando ainda mais a importância de conectar tudo que vai sendo aprendido com outras experiências que já tenhamos passado.

Acessos às memórias deixam elas cada vez mais fáceis de serem buscadas

Essa é uma parte que parece meio óbvia, mas que é importante ressaltar. Cada vez que acessamos um conhecimento obtido, deixamos ele mais fácil de ser recuperado para uma próxima vez. E isso ajuda muito para um aprendizado futuro, que pode ter relação exatamente com algum conhecimento que você precisou usar muitas vezes no passado!

Por que tudo isso é importante?

Porque capacidade de aprendizado é um diferencial competitivo pessoal e organizacional, é uma das chamadas habilidades do futuro. Como Luísa escreveu no último postUm treinamento que vai ser contratado deve responder pelo menos a alguns desses questionamentos. O quanto que a empresa/pessoa que desenhou o treinamento entende sobre formas de aprendizado? A mesma coisa vale para os participantes. Vale a pena apresentar a eles esse mundo do aprendizado de uma forma mais científica, porque assim eles(as) vão ficar mais críticos sobre seus métodos e talvez mais eficientes.

Aqui na Caelum investimos bastante nesse assunto.  As nossas aulas presenciais e online são influenciadas pela ciência do aprendizado e estamos praticando dentro de casa também. Temos um treinamento recorrente sobre método de aprendizado, criado por Jeferson, um dos líderes do time de instrutores, que já teve a participação de várias pessoas das mais variadas áreas da empresa. Além disso, montamos um treinamento interno, de duração um pouca mais longa, para um time que foi recentemente criado. Duas vezes por semana eles têm aulas e são desafiados com muitas atividades de natureza e níveis diferentes visando justamente potencializar a retenção e recuperação do conhecimento.

Pare fechar, queria lembrar mais uma vez, que a avaliação da própria pessoa sobre a capacidade dela em determinado assunto influencia diretamente na abertura dela para objetivos cada vez mais desafiadores.  Investir em desenvolvimento das pessoas é algo que tende a deixar sua organização cada vez mais preparada para enfrentar os próximos desafios. Não caia na besteira de gastar o budget anual sem analisar profundamente as necessidades dos times e o nível de preparo das escolas e profissionais envolvidos em passar o conhecimento.

 

 

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