O impacto das metas na performance: capítulo 3

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Photo by Nizam Abdul Latheef on Pexels.com

No último post sobre a importância das metas na busca por performance, discutimos como é importante gerar o senso de comprometimento da pessoa em relação ao objetivo sendo buscado. Hoje vamos falar de outros dois moderadores importantes que podem facilitar o alcance das metas definidas, são eles:

  1. Feedback contínuo
  2. Complexidade das tarefas (Task Complexity)

 

Feedback contínuo

Vamos começar pelo feedback. Como já era de se esperar, a ideia aqui é prover retorno para a pessoa no sentido de sempre checar se o caminho que está percorrido está na direção esperada. É importante comentar que não estamos falando daqueles feedbacks estilo 1-on-1, 360 ou qualquer outro cuja intenção é ter uma conversa mais profunda sobre acontecimentos do passado. A ideia desse feedback, como citado na Teoria da definição das metas, é prover um sumário específico sobre o trabalho sendo realizado em busca do objetivo específico.  Talvez ainda esteja meio abstrato, então vamos buscar alguns exemplos de práticas do mercado que já são feitas e dão essa visão.

Um primeiro exemplo: Se as pessoas e times trabalham sob os conceitos ágeis e escolherem o Scrum como metodologia de trabalho, um Burndown Chart pode ser usado para medir o progresso da equipe.

A ideia é que você tenha uma estimativa de tempo para alcançar a sua meta e espera uma progressão periódica, a cada 2 semanas, por exemplo, que pode ser a duração do sprint, para chegar lá. 

sprint
A pontuação é a representação numérica do esforço necessário para atingir um grande objetivo. O time vai atacando as tarefas e esperado ver uma queda nesse número de pontos.

O gráfico vai deixar claro como as coisas estão indo. E aqui vem um detalhe muito interessante, que provavelmente você já percebeu também. Quando as pessoas notam que não estão no ponto esperado do progresso, elas tendem a se esforçar mais para chegar onde deveriam.

Pegando mais um exemplo, agora específico aqui da Caelum. Os(as) professores(as) dos nossos cursos presenciais dão muitas aulas diferentes e, cada aula, tem lá os assuntos esperados que devem ser cobertos na carga horária específica de cada curso. Como que a pessoa controla se ela está no timing correto? Já para o primeiro curso de todos sobre o assunto, o(a) criador(a) do treinamento tenta descrever um cronograma. A ideia é justamente dar um norte de progresso para os(as) próximos(as) professores(as). E aí, na medida que o curso vai sendo dado, outras pessoas vão ajustando o timing deixando ele cada vezmelhor.

Um outro exemplo, ainda dentro do time de aulas presenciais, é a progressão em relação a exploração de um assunto novo. Como saber se você está evoluindo em relação ao seu estudo? Criamos um conjunto de perguntas e ações que indicam sua progressão. Dentro da descoberta de um novo assunto, a pessoa precisa responder os seguintes questionamentos:

  1. Para que serve tal tecnologia?
  2. Quais são os pontos fortes em relação ao que já existe?
  3. Quais são os pontos fracos em relação ao que já existe?
  4. Onde está o projeto prático que fornece suporte a esse estudo?
  5. Qual a ementa final para colocarmos no site?

Agora a pessoa tem uma progressão clara e ainda podemos associar com uma estimativa de tempo. Isso traz visibilidade sobre progresso e alertas sobre dificuldades.

 

Feedback no mundo dos esportes

Saindo um pouco do contexto tradicional, vou tentar pegar uns exemplos agora dos esportes, coletivo e individual. Sei que nem sempre é possível transportar uma prática de uma atividade tão diferente para o nosso dia a dia, mas acho que o que fazem por lá pode servir de inspiração para os nossos desafios com pessoas e times.

Dentro de um jogo de vôlei existe uma pessoa responsável só por ir acompanhando as estatísticas do jogo. Qual o lado mais usado para o adversário atacar? Quando o adversário recebe mal o passe, qual o jogador mais acionado? E aí, tudo isso vai sendo usado como input para o(a) treinador(a) para direcionar as táticas do time em relação ao objetivo mais próximo, que é a vitória :).

Na Formule 1, que é individual, acontece a mesma coisa. O(A) piloto sabe exatamente qual deve ser o estado dos pneus até a volta X, assim como deve ser seu consumo de combustível. Em função dessas estimativas de progressão e da visualização constante das informações, quem está dirigindo consegue ajustar a tática para buscar os objetivos.

Feedback contínuo é um moderador imprescindível na busca pelo alcance dos resultados. Fica muito mais fácil de corrigir o curso das atividades, prever falhas, e visualizar os momentos onde um esforço maior vai ser necessário. Sem contar que você vai guardando o histórico dos progressos das pessoas e times, um bem valioso que pode ser usado como input das futuras metas que vão ser definidas.

Complexidade das tarefas (Task Complexity)

Vamos começar com metas que a pessoa envolvida considere relativamente tranquila.  Talvez algo que envolva algumas habilidades que ela já domina. Nesse tipo de caso, a pessoa olha para o objetivo e, em geral, se sente capaz de já bolar uma estratégia adequada para alcançar o resultado esperado. Um exemplo simples: se eu já dou o curso de Java e também já programo para WEB, aprender o curso de Java para WEB é uma meta que pode ser considerada fácil por mim. Olho para ela e já entendo exatamente o que preciso fazer.

Neste tipo de situação, a regra continua simples: Metas mais ambiciosas tendem a levar a performance cada vez melhor. Um exemplo: em vez de pegar um curso como próxima meta, a pessoa pode pegar 2. Talvez um até mais avançado. Isso está super condizente com a Teoria da definição de Metas.

Agora vamos cair na situação onde a pessoa olha para aquilo e pensa: bom, eu entendi qual é o objetivo, mas ainda preciso pensar direito no que devo fazer para atingir. A primeira coisa que você deve ficar atento é que os moderadores anteriores, comprometimento com o objetivo e feedback, tem um papel ainda mais importante. Quem está envolvido(a) precisa estar super comprometido(a) e ficar ainda mais atento(a) ao direcionamento e visualização da progressão. Dado que essa parte vai ser feita bem, precisamos olhar para outros pontos agora.

Numa meta super complicada, exigir da pessoa performance relacionada a resultado, pode fazer ela investir menos tempo do que deveria em bolar as estratégias necessárias e focar mais na reta de chegada. Essa combinação, em geral, leva a resultados pobres e frustração por parte dos envolvidos. Em resumo não é bom para ninguém.

Um exemplo prático, relacionado a meta de treinar novas pessoas para dar aulas: Imagine que eu acabei de passar essa responsabilidade para outra pessoa, vamos chamá-la de Capitã Marvel. Capitã Marvel nunca fez isso na vida e a primeira meta que dou para ela é: olha, preciso que você treine 5 pessoas no próximo trimestre. Já que eu costumava treinar 10 por trimestre, 5 pareceu um bom número. Capitã Marvel nem sabe direito o que precisa fazer para ensinar alguém a dar aula e já tem um número na cabeça. Este é o tipo de caso que já teve estudo mostrando que era melhor simplesmente falar para a pessoa fazer o melhor que ela pudessemesmo a gente sabendo que a mesma ciência mostra que esse estímulo não funciona bem, pelo menos no geral.

Só que um outro estudo feito, mostrou que na verdade o problema, quando estamos lidando com metas mais complexas, foi com o tipo de objetivo traçado. Em vez de traçar objetivos ambiciosos relacionados a resultados numéricos, era melhor traçar objetivos ambiciosos relacionados a aprendizado. E aí a teoria voltou a funcionar na prática. Metas mais ambiciosas levaram a performances melhores. Esse tipo de meta, focada no aprendizado, também é conhecida como Learning Goals.

Quando a pessoa julgar que uma meta é muito complicada, tente seguir o caminho de focar no aprendizado, em vez do número. Com o tempo, isso pode ficar menos complicado e aí pode começar a ter uma combinação de número com aprendizado.  Lembrando que tudo tem contexto, existem atividades que são complexas e arriscadas o tempo todo como: controlar o tráfego aéreo, pilotar um avião, fazer uma cirurgia etc. Nesse tipo de cenário não é esperado um número e sim sempre qualidade.  O que quero dizer aqui é: não existe a mínima chance de você tentar aumentar o número se a pessoa envolvida julgar que a qualidade possa ser afetada. Imagino que você já entendeu o motivo. Se for só complexo, mas com risco baixo, aí pode valer a pena forçar a meta e observar a qualidade.

Para fechar, em metas complicadas, também é sugerido que elas sejam quebradas em metas menores. As chamadas Proximal Goals. Dessa forma é mais fácil de prover feedback contínuo e também de ajustar em caso de alguma situação não esperada. Um exemplo prático, usando ainda a questão do sprint do Scrum: É recomendado que todo sprint tenha uma meta clara. Só que se você for olhar, o produto tem um roadmap. É esperado que em X tempo estejamos em algum lugar, o chamado Distal Goal. Você usa cada sprint para entender a progressão em relação ao objetivo maior e tem várias oportunidades de ajustar o ritmo, priorização etc. Deixando claro, você pode usar a mesma técnica do sprint em times com várias pessoas ou com apenas uma pessoa. A ideia de Proximal Goals e Distal Goals continua a mesma.

 

Resumo dos moderadores

No post da semana passada e neste tentamos estudar um pouco quais são os moderadores importantes para que a pessoa consiga a motivação necessária para dar seu maior esforço com qualidade em busca de um objetivo. Por que isso eu deveria me preocupar com isso? Porque observar esses pontos são importantes para que você, que é um(a) gestor(a), julgue se o ambiente que está oferecido para as pessoas é o melhor possível para que elas atinjam os resultados esperados. Até pode acontecer de cair no seu time ou empresa uma pessoa que consiga se sair bem em qualquer situação, mas isso é você contando com a sorte. No papel de liderança, é necessário que você facilite os caminhos para que todo mundo seja a sua melhor versão.

Metas é um assunto bem extenso e preciso te dizer que nossa jornada ainda não acabou. Ainda temos outros posts ligados ao assunto nessa nossa série!

 

 

 

 

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